segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Eu Acredito !

Eu acredito é no brilho das estrelas , que mesmo sendo ofuscado por grandes nuvens passageiras , continuam a brilhar cada vez mais .


Na certeza do vento que move meu cabelo e derruba folhas secas , renovando a paisagem , me fazendo querer flutuar .


No sereno da madrugada que contagia o ambiente num toque de melancolia nos fazendo refletir .


Na beleza de um botão de rosa que brota do chão , e vai se abrindo revelando sua beleza aos poucos .


Na tempestade que chega inundando tudo sem avisar , servindo para por nossa tola cabeça no lugar.


Numa chuva de verão no fim de tarde , que traz renovação , refrescando nossos mais fervorosos pensamentos.


No misterioso brilho do luar , que intensifica nossas emoções .


No que mais acredito ?

Acredito fielmente que um novo dia nasce , com os raios de sol que insistem em invadir as frestas da minha janela .


Acredito num sorriso sincero e no que cada pessoa tem de bom .


Acredito em você ! Em mim e no mundo .

Ingênuo demais ? Eu prefiro o termo feliz , sem mais .

Gustavo Marcolino .

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

...

O Ciclo

Sempre tem aquele homem com jeito de garoto que te prende de uma forma inexplicável , e quando você menos espera sente aquilo que chamam de “paixão” . É arrebatador , incontrolável , por mais que você queira ficar com os pés no chão é impossível se conter e você flutua , voa e se entrega regando esse sentimento com o seu melhor , fazendo de tudo para que ele cresça e floresça a cada dia mais.

Porem as vezes isso não é o suficiente , a paixão pode ser um sentimento individual , e bater a porta apenas de uma pessoa envolvida na historia , não importa o quanto você se esforce , se não é para ser , simplesmente não será .

Da mesma forma que é fácil voar , é fácil cair , e a queda muitas vezes é inesperada e rápida demais , você se esfola , se rasga , se vê no chão , dessa vez não só com os pés , mas sim de corpo e alma . Seu corpo bateu forte demais no asfalto , espalhando todas as suas esperanças misturando - as sobre desgraças escondidas.

Algo lhe diz “ Nunca ame novamente“ mas ao mesmo tempo você sabe que nunca é tempo demais .

Explorar o chão , é tudo que te resta , e você descobre que estando no chão nada mais pode te acontecer , afinal ali se encontra o limite . Aos poucos vai desvendando o que se encontra ao redor , e aprende que o ruim sempre tem um lado positivo , afinal estando no chão tudo está ao seu alcance , é mais fácil ver as coisas de onde você se encontra e tudo fica mais claro , a partir do momento que você aceita sua verdade.

Todos os dias você sobe um pouco mais , seja com uma frase feita que te faz sorrir , com um copo de cerveja compartilhado com alguém querido ou até mesmo uma risadinha espontânea de um bebê na rua , todas essas pequenas coisas te fazem crescer , te fazem bem e você está forte novamente , preparado para enfrentar o topo sem temer a queda ...

É uma segunda tediosa , quando você cruza a rua na saída do trabalho , para voltar para a casa , o ônibus parece que vai demorar hoje , o dia exaustivo contribui para o seu mau humor e tudo parece te irritar , você passa por um ponto de ônibus lotado e ao invés de reclamar da fila do ônibus , prefere desviar os olhos para um homem , com cabelos desgrenhados fumando um cigarro tranquilamente num ponto mais afastado da sua visão , ele repara que você o olha e retribui o olhar . Como quem não quer nada você se aproxima e pergunta se ele tem fogo para acender seu cigarro , ele apenas estende o isqueiro na sua frente e sorri , sorri como só um homem com jeito de garoto sorriria ...

É um ciclo que se recicla a cada nova experiência , uma lição que vai ser sempre gostosa de ser revisada , você pode dizer “nunca” , mas sabe que esse “nunca”cairá na sua cabeça quando você menos imaginar . É tesão , vontade , apesar dos pesares é bom se apaixonar . Não deixe o ciclo morrer , não desista sem ao menos tentar , não se baseie no passado , viva seu presente e tente não pensar no futuro , afinal a felicidade não é retilínea ela se alterna junto as emoções . Simplesmente viva e deixe o complicado para depois , talvez você perceba que o complicado nem é assim tão difícil .

Gustavo Marcolino

Não é exatamente autobiográfico , maaaaas ...

Todo Dia Parece Segunda

Eu queria acordar amanhã e ver tudo diferente , ter uma nova perspectiva de mim mesmo , queria sair por ai sem rumo e mudar minha vida , ser feliz sabe ? Sem ter que me preocupar com mais nada alem de ser feliz , mas tudo que me aguarda amanha é um trabalho fodido , cheio de gente chata e desinteressante .

Eu crio mundos alternativos na minha cabeça , a fantasia é tão mais divertida que a realidade , na minha mente eu sou o que eu quiser , e sempre sou a diva , o protagonista do meu show , sinto as luzes me perseguindo , é como se eu fosse importante , como se eu fosse alguém , as pessoas se importam comigo e todos querem estar perto de mim , o mundo gira ao meu redor e eu sou frio e calculista , seleciono a quem manipular de olhos fechados , tudo o que vier é soma .

Mas no fim quando acordo do meu sonho , vendo meus personagens indo embora , a vida começa a se bagunçar por si só , minhas escolhas erradas estão sempre voltando , e o passado insiste em me assombrar , as vezes eu acho que se existisse um radar de tristeza eu seria o campeão e as vezes sinto que o controle foge da minha mão .

Como viver sem se importar ? Como sonhar e não desejar ter ? Eu que sempre busquei um simples modo de vida , agora me pego sufocado a problemas rotineiros , como amor , dividas e escolhas .

Eu não sou feliz e não tenho vergonha de admitir , eu não gosto de mim e não preciso da sua pena , não falo isso para chamar atenção , é que como disse me sinto sufocado e me entala a garganta conviver com isso , hoje é um daqueles dias que tudo que eu quero é desabar deixar o meu mudo sair do lugar , mas as lagrimas estão presas e insistem em não querer descer .

As vezes acho que sou feito de papel , um papel comum e sem valor , que qualquer pessoa pode ler , amassar e atirar no lixo , quem se importa ?

Nem só de escuridão e sombras é feito o meu mundo , eu alterno pequenos minutos de felicidade , onde me encontro com amigos para falar da minha tristeza , mas me sinto sozinho mesmo rodeado de gente , com o copo na mão eu escorrego no tempo , e fico martelando em minha cabeça probabilidades e situações .

Não sei definir , mas me sinto incompleto , não só de amor e companhia , mas sinto que encarnei no corpo errado e estou cansado da minha melancolia .
Ando precisando me encontrar , que grande clichê , que grande verdade ... é tudo que eu preciso , estar fora do lugar , fora de mim , fora do tudo que eu chamo de mundo .
Agora vou dormir , para talvez amanha acordar , se acordar , abrirei os olhos e verei mais um dia sem graça começar ...

Gustavo Marcolino

#First !

A Mulher Que Não Sabia Sorrir ...

Ela caminhava em direção a escuridão , ao seu redor a pequena cidade era um contraste de construções de alvenaria simples e paisagens verdes , que aquele horário pareciam mais sombrias que o normal . As ruas estavam se esvaziando e a mulher , se afastava cada vez mais do movimento e do lugar que ela costumava chamar de casa . Milhares de coisas passavam pela sua cabeça , o barulho dos carros era praticamente ensurdecedor , mas ia ficando cada vez mais ameno a medida que ela se afastava do centro da cidade , ela nem se importava , na verdade ela nem ouvia , estava presa mais uma vez dentro da sua própria consciência , focada em chegar a um lugar onde pudesse ficar em fim só .

Imagens distorcidas passavam rapidamente diante de seus olhos , ela até conseguia identificar alguns rostos , mas não conseguia definir sentimento algum por aquelas pessoas .

Caminhou batendo suas botas no chão de concreto , até ouvir seus passos ecoarem , sabendo que havia chegado ao tablado de madeira , da ponte da cidade , o som de suas botas soou como um alarme e ela se focava novamente em seu caminho , se aproximou da grade da ponte e debruçou entregando seu corpo cansado ao ferro frio de armação .

Revirou sua bolsa , tirando de lá uma garrafa esverdeada contendo vinho , um vinho barato que ela comprara no caminho , abriu a garrafa desesperadamente parecendo alguém que abre uma porta esperando cura e salvação , três goles foi o começo , do que seriam vários outros. Até que sentiu a garrafa ficar leve em suas mãos e a jogou no rio , como alguém que manda uma mensagem de socorro em uma garrafa , fez o mesmo gesto , depositando todo seu vazio dentro daquele recipiente de vidro , na esperança frustrada de que algum desconhecido distante a achasse e entendesse a mensagem . Em seguida , pegou o maço que continha alguns cigarros amassados e acendeu um , fumando lentamente , sentindo o amargo gosto do tabaco, querendo sumir e se desfazer junto a fumaça . Ficou ali parada olhando para baixo , apenas observando o movimento calmo da água do rio abaixo de seus pés. Já estava ficando tarde e o ponto onde se encontrava , era deserto e silencioso , tudo que ela queria .

Então se distanciou da ponte e foi se dirigindo novamente ao centro .

O gosto do álcool estava presente em sua boca e a fumaça do cigarro impregnava em suas roupas , roupas pretas , de alguém que vive um luto interminável , velando por si mesma .

Felícia era seu nome e por ironia ou não , Felícia não era feliz . Na verdade ela não entendia bem o conceito de felicidade da sociedade em geral , não aceitava e julgava o comportamento das pessoas uma heresia a sua inteligência e uma hipocrisia diante delas mesmas , ela não sabia sorrir , e simplesmente não conseguia entender , aquelas estranhas curvas que brotavam nos rostos das pessoas , aquele movimento de contorção que a boca faz alinhando automaticamente os dentes junto a sons vezes contidos , vezes estridentes e extremamente irritantes , enquanto elas estavam nas mesas de bares , cafés ou até mesmo em suas próprias casas , conversando umas com as outras , sobre bens matérias fúteis e descartáveis , relações superficiais ou trabalhos que eram maçantes e tediosos , mas mostravam o quanto elas eram importantes e bem sucedidas , ela não entendia o por que daquele movimento que as pessoas chamavam de sorriso .

Não que algum dia tenha tentado entender , Felícia foi uma criança solitária , sua única companhia era a mãe uma professora aposentada que a ensinava em casa . Já na adolescência teve que encarar um de seus maiores medos , as pessoas e a vida em sociedade , muitas vezes , as conversas não passavam de simples comprimentos com a cabeça ou de um monossílabo“ Oi “ , nunca sorrisos ou qualquer outra demonstração de conforto com a situação . Para ela esse pouco contato já era um sacrifício .

Depois da morte de sua mãe , a garota que aos poucos se tornava mulher , passou a levar uma vida reclusa , aprisionada por ela mesma e uma antiga casa . Basicamente ela não tinha motivos para sorrir , de certa forma tinha preguiça de ser feliz e não tinha coragem para tentar . A felicidade era incerta e o caminho até ela muitas vezes doloroso . E foi assim que ela cresceu cercada de medo e frustração , presa a opiniões de sua mãe uma senhora triste e depressiva que direta ou indiretamente influenciou muito em sua formação .

A noite ficava cada vez mais fria , já passava das duas da manhã , e o movimento na avenida , daquela pequena cidade diminuía a cada minuto , os carros já não faziam mais tanto barulho assim , alias era raro ouvir algum carro passando por ali devido ao horário. O vento era cortante e gritava alto uma frase que parecia interminável .

Mais consciente de si , ela chegou novamente ao centro da cidade , olhou para cima e contemplou o fraco brilho das estrelas , que estava ofuscado por densas nuvens mescladas de tons escuros , uma tempestade com certeza cairia naquela noite , o clima era úmido e o sereno molhava vagarosamente seu rosto .

Afastando seu olhar do céu , reparou que todas as luzes da rua estavam quebradas com exceção de uma única , a ultima lâmpada no seu alcance de visão estava acessa e brilhava fortemente , como se brilhasse por todas as outras juntas , na rua não havia ninguém , apenas dois gatos que brincavam gentilmente entre si , a mulher caminhou ainda um pouco tonta por conta do vinho , e ao se aproximar da ultima lâmpada , reparou um movimento rápido que a fez piscar para confirmar sua visão . Um homem estava lá , parado de costas , ela podia observar o longo cabelo loiro que batia na proximidade das costas dele , com mais um rápido movimento o homem se virou , fazendo a mulher tremer diante de tanta beleza .

O homem que ali estava era um contraste nítido de Felícia , com um traje social branco e uma bengala na mão , parecia sereno e feliz , de rosto limpo e barba bem feita , ele vinha caminhando em direção a mulher que se encontrava na direção oposta.

- Olá . Disse o homem . Uma noite fria , não acha ? Dirigindo –se a mulher parada a sua frente .

Felícia , não gostava de conversar com ninguém. Ela pensou em correr , ou simplesmente sair andando , mas havia algo de diferente naquele homem , alem de sua beleza , ele tinha um ar misterioso , algo intrigante , que até então não fazia sentido algum . Diante de tantas dúvidas ela , apenas respondeu em tom baixo :

- Sim , está .

O homem que aparentava ter seus trinta e pouco anos , sorriu em resposta e aproximou-se mais daquela mulher , apoiando-se na bengala em passos curtos e lentos , dizendo :

- Se concorda comigo , então por que ainda continua aqui ? Vá para casa , o que faz uma mulher sozinha na rua , em uma noite fria como essa ?! – Disse o homem num leve tom de provocação .

Ao ouvir essas palavras Felícia primeiramente , teve raiva , ela odiava o fato de estranhos lhe ordenaram qualquer coisa . Não contendo suas palavras ela apenas retrucou :

- Quem é você para me mandar para a casa ? Quem é você para me dizer o que fazer ? Eu nem ao menos te conheço , por que daria ouvidos a um estranho ?

O homem se aproximou , ficando cara a cara com a mulher e disse :

- Estranho ? Eu não diria que sou estranho , alias aposto que lhe pareço muito familiar , você roga pelo meu nome todas as noites , me convida a entrar em sua vida a cada nova derrota e com certeza te conheço melhor do que você mesma !

Essa afirmação , chocou Felícia , que agora se sentia tensa e pensava , “ Quem é esse homem , que julga me conhecer tão bem ? “ , então ela perguntou a ele , tentando não deixar transparecer sua tensão :

- Quem – é – você ? - Disse ela , pronunciando cada palavra lentamente , como alguém que está prestes a perder a paciência e usa a ironia da calma para se expressar .

Dessa vez o homem não se aproximou mais , apenas abriu a boca pronunciou –se com a calma e clareza de quem quer ser entendido :

- Eu sou a sua única certeza , e ao mesmo tempo trago comigo todas as incertezas que alguém pode ter . Todos esperam por mim e mais cedo ou mais tarde acabam cruzando meu caminho , eu posso ser lindo e sereno , mas também posso aparentar feiúra e medo . Vários temem a minha chegada , e muitos outros choram pela minha partida , eu posso chegar quando você menos imagina te pegando de surpresa e te levando para um caminho aparentemente sem volta , mas as vezes tenho hora marcada e ninguém estranha quando chego , não existem barreiras que possam me prender , a única coisa que me atrasa é o tempo , e as vezes esse mesmo tempo insiste em me acelerar , ninguém controla o meu caminho e tão pouco sabe onde ele leva , eu sou aquele que você insiste em chamar , tentei evitar vir tão cedo , mas seria de má educação rejeitar outro convite seu , no fundo você já me conhece , mas mesmo assim gosto do impacto do meu nome , é ego sabe ? Prazer eu sou a morte .
Disse o homem terminando num tom de arrogância porem mantendo a serenidade .

As ultimas palavras do homem realmente causaram um impacto em Felícia .

A morte ? Será isso apenas um pesadelo , ela então abriu e fechou os olhos rapidamente tentando acordar , mas nada aconteceu a morte continuava parada a sua frente . A mulher então se lembrou de noites angustiantes e sem razão onde ela clamava pela morte , sua covardia era tanta que ela não tinha coragem de tirar a própria vida , porem torcia todos os dias para que algo acontecesse com ela , afinal viver é mais difícil que morrer .

Os pensamentos da mulher foram interrompidos novamente pela voz do homem .

- Vamos , você já esperou muito tempo por isso, a hora chegou , me acompanhe ... - E o homem virou as costas e começou a caminhar lentamente apoiando –se na bengala .

Felícia , só pensava em uma coisa , “Como morrer se eu nem ao menos vivi ? “

Viver não significa estar vivo , viver consiste , em derrotas e conquistas , a decepção faz parte da normalidade , mas nem só de decepção é feita a vida , se você foge e nega a si mesmo , você não vive , simplesmente espera pela morte , e foi isso que ela fez , foi fria demais para viver , mesquinha demais para sorrir , e agora mais uma vez estava sendo covarde , não queria encarar a incerteza da morte .

Ela então se virou rapidamente na direção oposta ao homem , e começou a correr , corria e sentia o vento gelado em seu rosto , o medo acelerava seu coração que toda a vida foi morno e parado . Olhou para trás e sentiu que a escuridão estava prestar a lhe engolir , a única luz que antes brilhava , agora também havia se apagado , ela não parou de correr e mais a frente avistou o homem de branco , a esperando na esquina . Por mais que sua vida não tivesse sentido , e que ela não tivesse motivos para continuar vivendo , se deu conta de que não queria morrer , e agora não era apenas por medo , e sim por que de alguma forma estava arrependida da vida insossa que levava , desviou do homem entrando em um beco , corria ofegante fugindo da morte , desviando dos obstáculos , latas , caixas vazias , e lixo , até que sem ter mais controle de si mesma escorregou na lama que tomava o chão e caiu ...

A chuva caia fortemente , batendo no chão de madeira da ponte , trovões pavorosos tomavam conta do ambiente e a única luminosidade que se via , eram clarões no céu formados por relâmpagos constantes .

A dor deixava a cabeça de Felícia pesada , ela foi despertada de um terrível sonho através da água fria que pingava em seu rosto . Tinha bebido demais e adormeceu ali mesmo na ponte sem se dar conta , as imagens do pesadelo ainda a dominavam e pairavam perturbando sua mente .

Palavras como : Desprezo , indiferença e solidão , se destacavam em seus pensamentos parecendo letreiros luminosos .

Como um sonho pode influenciar tanto a vida de alguém que nunca se importou com influencia nenhuma ?

Ela se levantou pensativa e apoiou-se novamente no parapeito da ponte , de uma coisa tinha certeza , a mudança não viria do nada , teria de ser conquistada a cada dia , matando um leão por vez , mas algo já havia mudado , ela estava cansada de seu próprio medo e não agüentava mais a idéia de continuar levando aquela vida sem sentido .

Seria difícil encarar os rostos vazios na próxima vez que se depara-se com eles , mas de uma coisa tinha certeza , não fugiria , não mais , ela estava pronta para encarar seus medos .

Olhou para o turbulento céu , e sentiu mais uma vez a chuva cair em seu rosto , se sentia viva , não tinha mais medo , e pela primeira vez na vida ela sorriu . Um sorriso tímido de quem espera por mais , e ela sabia que daqui pra frente muitos outros viriam, talvez mais intensos e com mais contrações de músculos , tinha aceitado a si mesma e estava pronta para isso .

Intercalado a esses sorrisos sabia que teria de enfrentar a decepção , porem já não temia e aceitava , por que agora podia ver que viver não é apenas ser feliz , viver é encarar a realidade triste do mundo e ainda assim , encontrar motivos em meio ao caos para sorrir .
Nada mudaria de um dia para o outro e Felícia tinha um longo caminho a percorrer , porem , dessa vez ela queria isso , e lutaria com todos os recursos possíveis para mudar a si mesma , reinventar suas opiniões e conquistar sua felicidade .

Agora se sentia forte o suficiente , acabou achando nela mesma motivos para continuar , a partir do presente construiria uma nova historia e prometeu a si mesma que só iria parar , quando não agüentasse mais ... sorrir .

Fim .

Gustavo Marcolino